Essa é uma fotografia de Aleksandr Rodchenko, um fotógrafo russo do inicio do século XX, contemporâneo à Revolução Russa, e portanto imerso num contexto em que a fotografia era escancaradamente formadora de opiniões.Suas fotos exploram perspectivas, geometrizações, mas principalmente novos pontos de vistas que nos fazem refletir sobre a fotografia.Suas composições fotográficas nos abrem um novo olhar sobre o ato de fotografar, passamos a repensar na fotografia, que deixa de ser uma mera reprodução, ou uma captura de um momento, ”embora em certo sentido a câmera de fato capture a realidade, as fotos são uma interpretação do mundo tanto quanto as pinturas e os desenhos”(Susan Sontag)
Esta fotografia, intitulada “chauffeur” de 1933 o artista capta vários planos, formando o primeiro com o cachimbo, o segundo com o espelho e o terceiro com o chão e as sombras. No entanto, a riqueza da foto esta presente nos planos “virtuais” que Rodchenko cria ao fotografar através do espelho, o fumante do cachimbo, ele próprio, uma outra pessoa atrás do fumante ao lado direito e o prédio, criando assim 2 planos de fundo: o do chão com as sombras e do prédio visto através do espelho. A presença do espelho faz com que se crie mais uma moldura dentro da fotografia.
É interessante ressaltar também, a questão da auto-retratação que colocada na foto, Rodchenko se põe como um coadjuvante se retratando atrás do “chauffeur” tão distante que quase se confunde com o plano de fundo.
O que faz dessa foto encantadora é a forma com que o olhar é fotografado: o olhar sobre as coisas, o olhar sobre o mundo mas é principalmente o olhar sobre o olhar é que faz com que a foto seja carregada de significado. Como uma metalinguagem a fotografia que fala por si só como uma nova forma de olhar.



