
São infinitas as possibilidades e os questionamentos sobre a intrigante imagem de Bresson, o que evidencia o caráter múltiplo da fotografia, que nos apresenta diversas realidades: “Uma foto pode estar nos dizendo: isso também existe. E isso. E isso. (E tudo isso é “humano”.)” (SONTAG, 2008, p.140).
O fundo branco do reflexo, em contraste ao escuro da parte de cima da imagem é que nos permite enxergar com detalhes o outro lado do portão: a pessoa parada, a bicicleta, a forma do homem que corre e salta sobre a água.
O fotógrafo capta também um instante inusitado ao nosso olhar, pois paralisa o salto do homem no ar, antes de pisar o chão novamente, porém a silhueta do homem ganha uma visibilidade muito maior no reflexo do chão, onde há mais contraste entre o branco e preto. O salto teria acontecido em um instante temporal, que a fotografia permitiu que se materializasse e fosse visto, um instante que saiu do imaginário e passa a existir: “A fotografia, em função de sua pretensa “objetividade”, se prestou para esse projeto na medida em que tornou reais as fantasias do imaginário.” (KOSSOY, p.83).
São estas as minhas considerações sobre a imagem que escolhi, baseadas nos estudos da bibliografia e das discussões em aula sobre como as imagens podem nos educar. Pensar como as imagens foram construídas e pensadas, manipuladas pelo tanto pelo próprio olhar do autor, ou tecnicamente, a fim de gerar alguma indagação, ou proporcionar uma leitura dirigida (KOSSOY, p.82) ao espectador.



